[RP] Murder by Numbers

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[RP] Murder by Numbers

Mensagem por Alexandra Hayden em Dom Maio 28, 2017 8:51 pm

Murder by Numbers

Local: Necrotério - Hospital de Nova Orleans
Clima: 15° C, noite fria e chuvosa
Data/Hora: Dia 28 de janeiro, sábado, 2:15h
Classificação: +16
Descrição: Movida pela curiosidade e desconfiança, Alex vai ao hospital para invocar o espírito de uma suposta vítima de Hades, mas ao entrar no necrotério acaba dando de cara com um visitante inesperado.


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Re: [RP] Murder by Numbers

Mensagem por Alexandra Hayden em Ter Jun 06, 2017 4:58 am



We Must Be Killers
Hades andava estranhamente quieto, fazia meses que não tinha notícias do grego. Para falar a verdade, não o via desde a noite do Halloween, quando conseguimos escapar da chacina que aconteceu na Ilha da Miséria. O mais estranho é que ao chegarmos em Nova Orleans, o loiro estava agindo de um jeito esquisito como se estivesse ansioso para livrar-se de mim. Apesar de tudo, não quer dizer que eu estava sentindo falta da atenção que ele me dedicava, na verdade era um alívio não ter Hades na minha cola, perturbando-me com sua atitude sedutora e seus convites salpicados de chantagem barata. Mesmo assim, confesso a contragosto que cheguei a pensar em procurá-lo, afinal, depois de tanta insistência em querer me conquistar era no mínimo suspeito que o grego simplesmente tivesse abandonado seu objetivo. Hades não parecia ser o tipo de "pessoa" que desiste do que quer, e isso deixou-me muito intrigada, mas não o suficiente para que eu realmente fosse atrás dele. Sendo assim, procurei concentrar minha atenção em coisas mais interessantes e produtivas, como o meu trabalho, por exemplo. Para a maioria das pessoas, estar rodeada de cadáveres pode ser tenebroso, mas para mim era algo natural e extremamente vantajoso. Trabalhar no necrotério me permitia exercitar minhas técnicas de legista, além de aprimorar minhas habilidades de bruxa necromante. Quanto mais frescos os cadáveres, melhor, e por sorte, Nova Orleans estava tendo um belo aumento no número de mortes. Eu sei, deveria ficar chocada, mas frieza sempre fez parte do meu trabalho, além disso, há quem diga que não sou das mais sensíveis. Apesar de aparentar o oposto, sou obrigada a concordar. Era para ser a minha noite de folga, mas minha curiosidade mórbida e senso do dever não me permitiram ficar em casa, mergulhada na banheira, degustando de uma deliciosa garrafa de La Romaneé-Conti, enquanto minha mente permanecia focada no cadáver que esperava por mim no necrotério. A polícia tinha encontrado o corpo de uma jovem de vinte e cinco anos no cais do porto, nas primeiras horas da manhã. Ele estava pendurado no mastro de um barco, sacolejando feito um daqueles bonecos infláveis ridículos expostos ao vento.

Eu tinha sido chamada ao suposto local do crime para fazer as primeiras avaliações no cadáver antes que ele fosse removido para o necrotério, onde eu poderia examiná-lo com mais precisão e tranquilidade. A vítima estava cheia de lacerações, cortes profundos e até mordidas. Haviam pedaços da carne faltando, além de um buraco enorme no peito que indicava que o coração tinha sido removido. Não era trabalho de um alien, mas quem fez aquilo, com certeza era um exímio estripador, considerando-se o terrível estado do corpo. Geralmente era trabalho da perícia cuidar das amostras, mas já que estava presente e tinha uma vasta experiência no assunto, consegui convencer o investigador encarregado de me deixar coletar algumas coisas. Fiz uma raspagem superficial na pele, onde haviam marcas estranhas, tirei amostras de tecido que poderiam estar escondidas debaixo das unhas e coletei dois fios de cabelo loiro que encontrei presos ao vestido. Escondi as amostras verdadeiras e usei um feitiço para forjar novas evidências, entregando-as a um dos policiais. Feito isso, fui embora, mas antes de chegar ao carro vi algo que nem a polícia, ou qualquer um dos curiosos ali presentes conseguiu ver: o espírito da garota estava bem na minha frente. Ela deu um passo, encarando-me, e de repente abaixou-se muito lentamente. Seus movimentos eram pausados, trêmulos como pequenas cenas distorcidas de um filme ruim, envolvidos por um tipo de névoa que julguei ser de natureza sobrenatural. Resíduos plasmáticos espirituais? Talvez, de qualquer modo, não me prendi a isso. Meu olhar foi guiado pelo desenho que ela fazia no chão: "HM", duas letras distintas que me fizeram elevar uma sobrancelha, imaginando o que aquilo significava. Poderiam ser muitas coisas, mas naquele momento só uma delas me ocorreu: Hades Mavrokodatos. Um tanto óbvio, eu diria, mas conhecendo Hades, posso dizer que o grego ser o assassino daquela moça não era nem um pouco improvável. De qualquer forma, eu precisava ter certeza.

O espírito se foi e retornei ao necrotério para dar início a autópsia, porém não cheguei a concluir o trabalho. Tinham coisas faltando, peças que não se encaixavam. Eu tinha certeza que aquele assassinato era uma das obras-primas de Hades, mas quanto mais examinava o corpo, mais desconexas as coisas me pareciam. Eu ainda tinha as evidências e logo iria examiná-las, mas não pretendia entregá-las a polícia. Tinha algo melhor em mente, então resolvi guardá-las muito bem, além disso, se eu quisesse mesmo invocar o espírito da garota, ter algo que ligasse a vítima ao assassino seria fundamental. Nesse caso, as amostras de tecido que retirei das unhas poderiam servir como conexão para o ritual de invocação que eu faria à noite. E foi por esse motivo que retornei ao necrotério algumas horas depois. – Fazendo serão em pleno sábado, Dra. Hayden? – Perguntou um segurança, assim que atravessei o saguão em direção ao elevador. – Se a morte não tira folga, eu também não tiro, Lewis. – Forcei um sorriso simpático e entrei no elevador, apertando o botão do subsolo. O necrotério ficava no porão do hospital, era um espaço enorme e muito isolado, sempre cheirando a formol e desinfetantes, onde um silêncio mórbido parecia pairar pelos corredores, além de ser sempre frio, não importando se era verão ou não. Existiam dois elevadores, o de serviço, usado para trazer os corpos, e o social, usado pelos funcionários e pelas outras pessoas. Para mim era só mais um lugar como outro qualquer, mas para alguns funcionários o subsolo era um território sombrio onde os mortos habitavam. Bem, posso dizer que estava totalmente à vontade naquele território, não era à toa que eu era chamada de Perséfone.

Após deixar o elevador e atravessar o longo corredor conhecido por muitos como "a passarela da morte", entrei em meu escritório e acendi a luz, já deixando o guarda-chuva de lado. Fechei a porta e liguei o ar-condicionado, estava um gelo naquele lugar e minha noite prometia ser longa. Guardei o grosso casaco e a bolsa no armário, e vesti o jaleco. Não iria trabalhar de verdade, mas estar vestida de acordo seria um bom disfarce caso algum intrometido resolvesse aparecer no meio do ritual. Meu escritório não era grande, mas era confortável. Haviam duas portas, a de entrada, por onde as pessoas podiam ter acesso a minha sala sem precisarem dar de cara com os cadáveres, e uma grande porta de metal, que me dava acesso direto a sala de autópsias. Tinha duas cadeiras em frente a minha mesa, uma cadeira giratória aconchegante, um armário de canto e um arquivo sempre organizado. A sala era separada apenas por uma grossa parede de vidro, que dividia todo o espaço em dois ambientes: a sala do legista e a sala de autópsias, onde ficavam os corpos. A parede de vidro permitia que a luz que entrasse pela sala de autópsias durante o dia, iluminasse meu escritório, já que ele não possuía janelas. Porém, o vidro não permitia que quem estivesse na sala de autópsias visse o que se passava na minha sala e vice-versa, assim algumas pessoas não ficariam chocadas quando houvessem corpos expostos para serem examinados. De repente, lembrei que havia esquecido de pegar o pequeno frasco com terra de cemitério que estava no carro, então apaguei a luz e saí do escritório para ir buscá-lo. Não levei mais que cinco minutos para ir e voltar. O "ingrediente principal", ou seja, o corpo da garota, estava guardado em uma gaveta do enorme freezer, na sala de autópsias. Sendo assim, entrei direto na sala pela porta principal, acendendo as luzes no exato momento em que dei de cara com um homem moreno saindo do meu escritório. – Posso ajudá-lo em alguma coisa? – Meu tom de voz foi amável, mas eu era a desconfiança em pessoa. Ele pigarreou baixo e sorriu de canto. – Dra. Hayden, certo? – Perguntou, aproximando-se de onde eu estava. – Sim, e você é... ? – Enfiei as mãos nos bolsos do jaleco, meu olhar afiado medindo-o de cima a baixo. – Jacob Phelps, segundo ano de residência em Medicina Legal e Perícia. – Ele respondeu, cheio de confiança. – Na verdade, acabei de me mudar e estou começando a trabalhar hoje. – O moreno explicou. Apesar de estar vestido com o uniforme azul dos residentes e um jaleco sem identificação, Phelps mais parecia um nazista fantasiado de enfermeiro de hospício. – Um futuro legista? Que boa notícia. Nesse caso, seja bem-vindo à Nova Orleans. – Tinha alguma coisa errada, mesmo assim, mantive a pose gentil, mas não por muito tempo. – Agora, Sr. Phelps, que tal me dizer o que estava fazendo no meu escritório? – Cruzei os braços em frente ao peito, desmanchando o ar encantador. Aquele lugar era o meu santuário, e a única coisa que nos separava era uma mesa de autópsia.
With: Christof MannheimClothes: Here
Soundtrack: Mikky Ekko - We Must be Killers


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