[RP] The Pit and the Pendulum

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[RP] The Pit and the Pendulum

Mensagem por Lyra Crowley em Ter Jan 17, 2017 7:06 pm

The Pit and the Pendulum

Local: Eletric Bourbon Club
Clima: 17° C, está uma bela noite, porém um pouco fria
Data/Hora: Dia 13 de janeiro, sexta-feira, 23:45h
Classificação: +16
Descrição: Explorar a noite de Nova Orleans pode ser perigoso, mas para Lyra o perigo se torna diversão ao conhecer um "anjo" com alma de demônio.


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Re: [RP] The Pit and the Pendulum

Mensagem por Roman Czarevich em Sex Jan 20, 2017 3:28 pm



When he's happy looks insane

“O vento era mais forte no alto do penhasco, tão forte que Roman sentia o corpo ser empurrado violentamente para beira do abismo. A mão estendida de Dzhugashvili movia-se suavemente, seus dedos fazendo movimentos sutis, como se apalpasse uma fruta fresca, que contrastava com sua face vermelha e pulsante. – Eu forjei minha própria morte! – Dzhugashvili esbravejou, forçando a garganta a gritar mais alto que o uivo do vento gelado. – Yakov – Roman pronunciou engasgado quando o ar pareceu simplesmente sumir de seus pulmões conforme o bruxo mexia seus dedos. Antes mesmo que Roman pudesse dizer mais uma só palavra, Dzhugashvili esticou o braço lançando o corpo do jovem Czarevich para fora do penhasco.”

O som do meu celular vibrando sobre a escrivaninha despertou-me de mais uma longa e angustiante lembrança. Endireitei o corpo na cadeira, ouvindo o ruído do meu jeans no couro e o estalar das juntas que jaziam paralisadas a longas horas. Já era quase onze. Ergui o rosto para a janela fechada do quarto, encarando a escuridão da noite engolindo sem piedade a cidade de Nova Orleans e suspirei. Estava sentado naquela posição há horas e não conseguia escrever nada além de frase soltas e desconexas. – Escrever dez mil palavras por dia, péssimo desafio, Nathan – ergui-me da cadeira esfregando as mãos no rosto e no cabelo, caminhei pelo pequeno quarto de hotel e alcancei o criado-mudo ao lado da cama, onde apanhei um cigarro no maço e meu isqueiro do Exército Vermelho. Coloquei o cigarro entre os lábios e o acendi com uma tragada lenta, soltando a fumaça lentamente pelas narinas. Num ímpeto quase inocente, virei com o cigarro na boca e apanhei sobre o colchão meu sobretudo, vestindo-o agilmente. Pesquei o maço de Malboro no criado-mudo e deixei a suíte duzentos e dez.

A cidade, apesar de mergulhada em trevas, pulsava como um órgão vivo indicando uma noite longa e sangue fresco. A fome não foi o único motivo de me fazer deixar a suíte do hotel, na verdade, eu não aguentava mais ficar preso em frente a um computador e acabaria surtado se não me desligasse dos meus afazeres. Meus pés batiam contra o cimento da calçada úmida, mas o som do caro par de sapatos italianos era perceptível apenas para meus sensíveis ouvidos. Eu estava muito suscetível aos ruídos àquele horário e meu corpo estava em alerta total, minhas orbes atentas percorriam os bares da rua e os rostos que transitavam de um lado para o outro. Era um pedaço agitado de NO e os frequentadores iam de calouros universitários a coroas solteirões, nada muito interessante à primeira vista. Do outro lado da rua uma garota ruiva gesticulava para um rapaz mais velho e ouvi quando sua voz pronunciou “ganja”. Ela falava de um bom fornecedor que ficava do outro lado da cidade e ofereceu um cartão com um número para o rapaz de cabelo raspado. Mais adiante três garotas usando roupas negras acabavam de sair de uma loja de conveniência carregando garrafas de vodca barata, elas riam alto e mascavam chiclete, mesmo de longe eu pude captar o aroma de cereja e cigarros que emanava de cada uma delas. Por mais que pudessem oferecer algum tipo de diversão, a única coisa que pude sentir quando meus olhos cruzaram com os olhos daquelas três moças foi tédio. Desviei o olhar para frente e enfiei as mãos nos bolsos do sobretudo, alcançando um cigarro e meu isqueiro. Acendi o Malboro e traguei devagar, como sempre fazia, e foi nesse instante que uma densa cabeleira negra chamou minha atenção.

Os fios brilhavam e dançavam sob as luzes brilhantes que vinha dos bares e dos postes da rua. Observei-a atravessar de uma calçada a outra, atônito, não acreditando na imagem que meus olhos viam. Ela parecia deslizar como uma tira de seda chinesa, os olhos cristalinos atentos e ferozes nem chegaram a notar minha presença há alguns metros. O cigarro pendia por meus lábios quando a figura feminina desapareceu por entre uma pequena multidão que se aglomerava em frente a um bar com karaokê. Permaneci estático por alguns segundos, tentando processar a mulher que tinha acabado de ver e ignorando as lembranças amargas que vieram sem meu consentimento. Sem pensar muito, lancei-me para frente em passos largos e rápidos, buscando encontrar novamente o rosto daquela que acabara com o resto de humanidade que um dia houve em mim. Precisei empurrar algumas pessoas e desviar de outras desatentas que apareceram pelo caminho antes de ver novamente o cabelo esvoaçante da morena há alguns metros de distância. Traguei o cigarro com força e soltei a fumaça pelas narinas, em êxtase. – Emily! – O nome dela formou-se em minha boca sem que eu percebesse, mas a morena não olhou para trás. Seguiu em frente pela rua barulhenta e desapareceu ao adentrar uma propriedade. Aumentei a velocidade dos passos e encarei a casa, percebendo então que se tratava de uma boate e não de uma residência familiar. Soltei um riso zombeteiro e coloquei o cigarro na boca. – Não acredito que estou fazendo isso. – Murmurei e traguei, lançando o restante do Malboro no chão.

O interior não parecia muito diferente do que eu imaginava e definitivamente aquele não era meu tipo de lugar preferido. Assim que entrei pelas portas do Electric Bourbon Club tratei de pegar uma bebida forte, whisky velho para fazer a noite valer a pena, e direcionei-me para um ponto estratégico do local. Gostaria de ter uma visão privilegiada de todos na festa, especialmente de Emily, caso ela resolvesse mostrar sua linda carinha novamente. Enquanto observava e esperava, me toquei do quanto estava sendo ridiculamente idiota. Eu tinha mesmo visto Emily andando na rua e entrando naquela festa? A expressão de escárnio que mantive viva em meu rosto desde que deixei o hotel dissolveu-se num vazio completo. É claro que eu não tinha visto Emily, isso porque ela estava morta há décadas. Ou melhor, porque eu a havia matado... Há décadas. Fechei os olhos com força e entornei o whisky do copo na boca. – “Ilusões... Alguns diriam que é culpa, outros que é o espírito dela vagando sobre a Terra para atormentá-lo eternamente pelo que você fez a ela.” – Imitei a voz de Gregory quando me explicou pela primeira vez, há anos, porque às vezes eu via, ou pensava ver, a imagem de Emily. Em seguida, dei risada da minha própria desgraça e aproximei-me do bar para pedir outra dose dupla de whisky, foi quando meu ombro esbarrou no ombro dela e eu percebi que não se tratava de uma ilusão. Aqueles grandes olhos azuis perolados jamais seriam ilusão. Encarei-a como se apreciasse uma belíssima obra de arte e não percebi que estava sorrindo torto enquanto a observava fazer o pedido ao barman.

Soundtrack •  clothes • With Lyra Crowley




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Re: [RP] The Pit and the Pendulum

Mensagem por Lyra Crowley em Sab Fev 04, 2017 12:11 am

With: Roman Czarevich
Clothes: This
Music: Gin Wigmore - Kill Of The Night Remix
made by bazinga!
I wanna taste the way
that you bleed

"Minha querida filha

Essa deveria ser uma carta de amor, mas ao invés disso, tornou-se o breve relato de uma mãe desesperada para proteger a única preciosidade que existe nessa família: Você, Lyra. Se estiver lendo isso é porque não sobrevivi ao terrível mal que apoderou-se de mim, mas saiba que não estará sozinha, seu avô prometeu que cuidará de você e que a manterá segura e distante do homem que causou tudo isso, o homem que destruiu minha vida. Sim, estou falando de seu pai, ele não era o homem que pensei que fosse. Durante o pouco tempo que passamos juntos eu fui usada e enganada de todas as formas que se possa imaginar, e quando ele finalmente conseguiu tudo o que queria, deixou-me aos cuidados da morte. Sei que isso tudo será um choque para você, mas preciso que saiba que o homem por quem me apaixonei não existe, era apenas a ilusão de um demônio astuto. Dei meu coração a ele, mas seu pai preferiu roubar minha alma. Mesmo assim, existe algo do qual não me arrependo, no meio de todo esse infortúnio você foi a única coisa boa que me aconteceu e estou feliz que seja minha filha. Talvez ainda não saiba disso, mas você é uma menina muito especial, Lyra. Você é a única herdeira dos Grevell, uma longa linhagem de bruxas e bruxos poderosos pertencentes ao último Coven de Essex existente fora de Salem. Há magia correndo em suas veias e ela é tentadora, por isso, use-a com cuidado, pois, ela sempre cobrará um preço que pode ser caro demais. Meu grimório é seu, use-o com sabedoria e mantenha-o seguro como se fosse sua própria vida. Gostaria de dizer que vai ficar tudo bem, mas isso dependerá das decisões que você tomar, só não se esqueça que para tudo há um preço. Eu lamento muito se dificultei as coisas para você, Lyra, então, por favor, me perdoe. Isso não é um adeus, sei que um dia estaremos juntas, mas até lá peço que confie em seu avô, ele irá orientá-la em tudo o que for preciso. Mais uma coisa, provavelmente a mais importante de todas: Aconteça o que acontecer, fique longe do seu pai e da família dele. Os Crowley vivem nas trevas e não há nada de bom que possa vir dessa família. Obedeça seu avô e lembre-se sempre que amo você.

Com amor, mamãe"



~~//~~


Era sempre a mesma coisa todas as noites, sempre o mesmo sonho. Eu tinha dezesseis anos e havia encontrado a carta que minha mãe tinha deixado em seu grimório. A carta não existia mais, cada palavra naquele papel me assombrava, então queimei no dia em que matei meu avô "acidentalmente", junto com todo o resto que pertencia aos Grevell. Uma pequena vingança pelo que o velho bruxo me fez passar, após eu descobrir que ele havia me abandonado em um orfanato apenas um dia depois da morte de minha mãe. Ainda me lembrava das palavras duras do velho Silas quando o confrontei. "Você tem o sangue daquele maldito. Não há lugar para Crowleys nessa família.", ele berrou, apontando o dedo na minha cara. Meu avô tinha quebrado a promessa que fez a minha mãe, para ele eu não passava de uma pária, uma infeliz sem pais, sem família. Até parece que eu tinha culpa por minha mãe ter sido ingênua e ter facilitado para que meu pai tirasse proveito dela. Se ela fosse inteligente deveria tê-lo matado quando teve chance, ao invés de ficar se lamentando nos seus últimos dias de vida. Era o que eu teria feito, na verdade, era o que pretendia fazer, por isso, esperei o momento certo. Foram quatro anos de espera, me preparando e pesquisando sobre os Crowley, até eu descobrir que uma maldita barreira mágica estava impedindo os seres sobrenaturais de usarem seus poderes em Salem, onde meu pai, Sebastian Crowley, vivia. Claro que essa besteira não me impediria de fazer o que eu tinha de fazer, apenas atrasaria um pouco mais as coisas. De qualquer forma, achei melhor fazer uma parada em Nova Orleans antes de seguir adiante. Haviam boatos se espalhando no mundo da bruxaria, parece que alguns moradores de Salem estavam buscando refúgio na cidade do vodu, onde poderiam praticar magia à vontade. Claro que tantos ratos juntos na mesma toca acabariam atraindo muitos gatos, mas eu não pretendia ficar muito tempo em Nova Orleans para me divertir com algum caçador. Além disso, eu duvidava que meu pai estivesse na cidade e me agradava muito a ideia de lhe fazer uma pequena surpresa em Salem. Na verdade, estava ansiosa por isso, mas não podia deixar Nova Orleans sem me divertir um pouco.

Era a minha primeira vez na cidade mais famosa de Luisiana e eu queria experimentar tudo, mas, infelizmente não tinha muito tempo. Estava tarde e não estava com fome, já tinha devorado um prato de Gumbo de camarões em um bar do French Quarter, então só queria beber e aproveitar o resto da noite. Uma garota sozinha em uma cidade desconhecida poderia acabar se metendo em confusão, mas era exatamente esse tipo de "diversão" que me atraía. A noite de Nova Orleans não era diferente da agitação noturna de outros lugares onde já tinha estado. Tinha uma vibração constante, uma cidade antiga que exalava pecado, magia e música em cada esquina. Era um festival de cores, de sons e cheiros contagiantes, de energias diferentes e auras oscilantes. Enquanto andava pelas ruas senti como se tivesse experimentado alguma droga psicodélica, minha percepção estava completamente alterada, mas talvez fosse pela quantidade de bruxas e de outros seres que perambulavam pra lá e pra cá. Virei uma esquina e atravessei a rua, sentindo o vento frio arrepiar minha nuca e agitar meus cabelos. Sempre gostei do frio, era um bom motivo para procurar algo que pudesse me aquecer. Passei em frente ao um bar de karaokê, desviando entre um pequeno aglomerado de pessoas e olhei para os lados em busca de algo interessante. Não sabia para onde estava indo, então segui em frente até dar de cara com uma enorme estrutura em forma de casarão. Era pintada de branco e exibia uma placa de néon com letras vermelhas escrito Electric Bourbon Club, nem um pouco chamativo. – There is a house in New Orleans. They call the rising sun... – Cantarolei baixinho e entre risos enquanto entrava, misturando-me na multidão. Era uma boate como muitas que já tinha visto, público animado, muita barulheira, bebida à vontade e pista de dança cheia, nada muito impressionante, mas o que eu realmente queria estava bem a minha frente: O bar. Enquanto fazia o pedido ao barman senti alguém esbarrar no meu ombro, mas não dei importância e esperei até que o rapaz retornou, colocando o copo com a bebida verde bem na minha frente.

Levei calmamente o copo até os lábios e entornei um longo gole da bebida, sentindo o sabor forte do absinto descer ácido e suavemente doce pela minha garganta. Gotículas de água escorriam pelo copo e encostei o vidro gelado contra minha pele quente, sentindo um arrepio gostoso enquanto um filete de água fria deslizava lentamente pela minha garganta até desaparecer para dentro do vestido. Pelo canto do olho notei que estava sendo observada e girei a cabeça sem pressa, encontrando o par de olhos verdes e hipnóticos que pareciam querer me devorar. Uma discreta linha fina repuxou o canto de minha boca, formando um sorriso extremamente malicioso enquanto eu sustentava o olhar do rapaz ao meu lado. Girei o corpo, ficando de costas para o balcão do bar, meus olhos encaravam a pista lotada, mas não disse uma palavra, engoli o resto do absinto, apertando os dentes e soltei o copo vazio no balcão, só então voltando meu olhar para o loiro alto que ainda estava ao meu lado, sorrindo torto e olhando-me insistentemente. – Não te ensinaram que é feio encarar as pessoas? – Indaguei, meu sorriso maldoso dando lugar ao olhar afiado. – Desculpe, não percebi que estava encarando. – Ele respondeu, desmanchando um pouco o sorriso, tinha os olhos ainda cravados nos meus. – Mesmo? – Arqueei as sobrancelhas, sorrindo discretamente. Ele era diferente, não era como eu, mesmo assim tinha algo peculiar. Podia sentir sua agitação por dentro, a aura violeta exibindo pequenas manchas, transformando-se em cores mutáveis, sinal de que ele estava animado, mas ao mesmo tempo confuso.

Voltei minha atenção para a pista de dança e abri um pouco os braços, apoiando meus cotovelos no balcão, meu corpo remexia suavemente com a batida música. – Sou Roman. – Ele disse, molhando os lábios e estendendo a mão direita enquanto segurava o copo de whisky com esquerda. Girei o corpo, ficando de frente para ele. Roman era bonito, o sotaque denunciava que era europeu, mas não me liguei muito nessa parte, outras coisas me chamaram a atenção. Os lábios carnudos, a pele pálida, os olhos grandes e vidrados, sem dúvida um rapaz interessante e muito atraente, mas talvez ele nem soubesse disso. Meu olhar desceu lento pelo queixo, traçando uma linha imaginária pelo tórax escondido por debaixo de sua roupa preta, até parar em suas mãos. Ele segurava o copo com firmeza, apertando os dedos em volta do recipiente, até ficarem com as pontas vermelhas – um Roman ansioso.Sabe, é educado retribuir quando alguém lhe diz o seu nome. – O rapaz abaixou a mão, não parecia irritado, na verdade, levou o copo até os lábios e engoliu outra dose de whinsky. – Tem um cigarro? – Perguntei, inclinando o corpo para frente, ignorando seu comentário anterior. Ele prontamente atendeu ao meu pedido – que cavalheiro – e deixou o copo sobre o balcão, enfiou uma mão em um dos bolsos do sobretudo e puxou um maço de Malboro, entregando-me um cigarro. – Você tem fogo... Roman? – Colei meu rosto no dele, sussurrando em seu ouvido, não me preocupei em segurar o sorrisinho pervertido que escapuliu. Me afastei lentamente, sentindo o cheiro delicioso de perfume almiscarado. Ele engoliu em seco, a aura oscilando entre o violeta escuro e um vermelho intenso, quase vinho. Parece que alguém estava nervoso, talvez mais do que animadinho. O loiro enfiou a outra mão no bolso e puxou um isqueiro, acendendo-o ao mesmo tempo em que levei o cigarro até a boca. A chama pareceu acentuar a nossa troca de olhares intensos. – Obrigada. – Eu disse, após uma tragada, soprei a fumaça para o alto, sem desviar meus olhos dos dele. – Posso te pagar uma bebida? – Ele perguntou, quebrando a nossa conexão para guardar o isqueiro e o maço de cigarros. – Pode me pagar o que quiser, o dinheiro é seu mesmo. – Dei de ombros, rindo. – A propósito, sou Lyra. – Disse, escapulindo em direção a pista de dança. – Ei! E a sua bebida? – Roman gritou no meio da barulheira, girei nos calcanhares e o encarei com um sorrisinho travesso, seguindo novamente para a pista, deixando o loiro a ver navios. Segundos depois eu já estava completamente entregue a música, sentia as batidas ritmadas subindo pelos meus pés e espalhando-se pelo meu corpo. Minhas mãos subiam e desciam, deslizando do pescoço até minhas coxas. Girei o corpo, remexendo o quadril sensualmente com a batida da música e dei de cara com Roman observando-me em um canto da pista. Estiquei o braço, chamando-o com o dedo, mas ele sorriu e olhou para o lado, parecia envergonhado. Bem, se ele gostava de olhar eu não iria desapontá-lo, então comecei a dançar para ele.


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Re: [RP] The Pit and the Pendulum

Mensagem por Roman Czarevich em Sab Mar 04, 2017 11:36 am



When he's happy looks insane

Por mais que as semelhanças fossem incontáveis era inegável que olhando mais cuidadosamente ficava perceptível que aquela, definitivamente, não era Emily. A donzela que um dia tanto amei que fui capaz de atos terríveis jamais se deleitaria com uma dose de absinto, não me provocaria com olhares indiscretos e sedutores e nem sequer teria dirigido a palavra a mim de forma tão casual e sexy. A morena discriminou-me por encará-la e imediatamente diminui o sorriso no rosto, deixando apenas rastros de uma expressão confiante e curiosa em relação àquela moça. Desculpei-me por tê-la deixado desconfortável, afinal, fora isso que suas palavras indicaram, mas na verdade seu tom de voz parecia querer dizer outra coisa e isso instigava-me de uma forma incontrolável. Era como se ela fosse um livro antigo, aberto só para mim, pronto para ser lido e desvendado. Permaneci observando-a, desta vez de forma mais discreta, alternando o foco da visão entre seus olhos perolados e a agitação das pessoas que passavam de um lado para o outro. Realmente, aquele não era meu tipo preferido de lugar, mas não custava tentar socializar e me inteirar no mundo daquelas pessoas. Dei um gole feroz no meu whisky, esquadrinhando a pista de dança com os olhos semicerrados. Uma jovem de cerca de vinte anos dançava olhando diretamente para mim. Seus cabelos cor de âmbar caiam pelos ombros em belas ondas delicadas e o corte do vestido preto deixava suas costas nuas, expondo uma enorme serpente negra tatuada em toda a extensão de pele à mostra.

Umedeci os lábios sentindo ainda o trago do whisky e desviei a atenção, notando a morena posicionar-se apoiada no balcão. – Sou Roman. – Falei num tom de voz mais soturno que o esperado, olhando-a nos olhos enquanto estendia a mão para um cumprimento formal. Senti meu corpo formigar de maneira estranha e vinquei discretamente o cenho, sentindo uma energia densa me rondar feito um predador pronto para dar o bote. Não, a energia não vinha daquela jovem de olhos perolados e sim da pista de dança, fato que me intrigou, mas não o suficiente para desviar minha atenção. – Sabe, é educado retribuir quando alguém lhe diz o seu nome. – Quase ri com meu próprio comentário, abaixando a mão estendida até deixa-la cair ao lado do corpo. Bebi do whisky e permaneci observando a morena. Ela perguntou se eu tinha um cigarro, atendi prontamente o pedido e pesquei o maço no meu bolso, oferecendo-lhe um. Estava prestes a apanhar também o isqueiro quando a moça aproximou-se perigosamente do meu ouvido, perguntando se eu tinha “fogo”. Sorri torto e deixei que se afastasse. Estiquei o isqueiro aceso e acendi o cigarro que já pendia por entre seus lábios.

Novamente, senti-me desconfortável com algo que parecia estar me cercando pouco a pouco. Respirei fundo, ficando um pouco nervoso com toda a situação e com o ambiente, foi quando me ofereci para pagar uma bebida à jovem. Ela aceitou de forma pouco interessada e apresentou-se como Lyra. Um elogio ao seu belo nome começou a se formar em meus lábios quando Lyra simplesmente afastou-se indo em direção à pista de dança. Observei-a se movimentar entre as pessoas e começar a dançar no ritmo da música que tocava. Deslizei o copo pelo balcão e fiz sinal para que o barman me servisse outro sem tirar os olhos de Lyra na pista de dança. Assim que o copo cheio me foi entregue novamente, notei que há poucos metros de onde a morena dançava estava a mulher da tatuagem de serpente. Os olhos amendoados da loira estavam cravados em mim, me fazendo notar que aquela energia pesada que me rondava vinha dela. Desviei o olhar para Lyra, que ainda dançava sensualmente para mim. Havia algo errado. Entornei o whisky na boca e deixei o copo no balcão, caminhando devagar em direção à pista de dança. A batida da música pulsava alta em meus ouvidos e em meu peito, causando-me uma euforia quase esquizofrênica, deixando-me perdido entre estar gostando ou detestando tudo aquilo. Incomodado com a energia da loira e com o que pudesse estar prestes a acontecer, aproximei-me de Lyra quase como um fantasma e quando a morena se deu conta minha mão já tinha envolvido sua cintura com firmeza e nossos corpos estavam colados, roçando suavemente ao som da música.

Surpresa com a aproximação repentina, Lyra me encarou como se buscasse por uma explicação. Sustentei seu olhar e sorri amistosamente, segurando sua mão e girando seu corpo com maestria em cada um dos movimentos. Puxei-a de volta para mim e apertei-a pela cintura, subindo a mão espalmada por suas costas até alcançar sua nuca. Curvei-me até alcançar sua orelha e sussurrei. – Algo me diz que hoje não é um bom dia para você morrer. – Em seguida, mordi devagar o lóbulo. Seu cheiro era muito bom, uma mistura perfeita de baunilha e alguma flor que não consegui distinguir. – Eu não sei quem você é e para falar a verdade pouco me importa. Uma bruxa como você deve ter feito alguns inimigos por aí, não é mesmo? Jovem, sozinha, rebelde, bastante clichê para mim. Pois bem, alguém aqui dentro veio buscar sua cabeça. Eu poderia ser muito sacana e deixar você se ferrar sozinha, mas hoje estou a fim de ser bonzinho. – Murmurei cada vez mais sério, apertando-a contra mim. Deslizei os lábios por seu maxilar, segurando firmemente seu rosto com uma das mãos, mantendo a outra em sua nuca. – Ela se chama Esther, tem uma víbora negra tatuada nas costas e caça bruxas há mais de cento e cinquenta anos. Ela era só uma prostituta medíocre quando foi amaldiçoada e se tornou uma espécie de vampira. Está bem aqui ao lado, tentando me seduzir para deixar você sozinha. O trabalho fica mais fácil quando não tem um anjo caído atrapalhando. – Afastei-me e sorri torto. – Aceita minha ajuda, Lyra? – Voltei a sussurrar em seu ouvido. – Nós podemos atraí-la para o lado de fora... – Ri e afastei-me de vez, mantendo certa distância do corpo da bruxa. Lyra tinha a opção de acreditar em mim e se salvar de uma possível enrascada ou se deixar levar pela desconfiança e pelo orgulho e se colocar em grande perigo. Quem quer que estivesse planejando a morte da bruxa não estava brincando. Esther não era contratada por qualquer pessoa.


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