Capítulo 1: O Ressoar da Trombeta

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Capítulo 1: O Ressoar da Trombeta

Mensagem por The Deity em Dom Jun 21, 2015 4:37 am

Parte 1: O ressoar da trombeta

Muitos anos atrás fora uma época sombria para todas as bruxas do mundo. Bruxos e bruxas eram enfileirados aos montes, mortos violentamente pela Santa Inquisição e, mesmo fora desta grande praga, ainda sim haviam os supersticiosos, os fanáticos religiosos que procuravam delatar e assassinar as bruxas, mesmo sem estas serem tecnicamente ruins. Haviam bruxas do mal, como dizem as velhas histórias de contos de fadas, como aquelas que transformam homens em animais e bruxas malévolas que fazem princesas dormirem eternamente; mas também haviam aquelas cujos poderes auxiliavam as pessoas, criando remédios e utilizando-se de técnicas e feitiços para ajudarem as pessoas. Ao longo dos séculos, bruxas e bruxos eram friamente executados, incompreensivelmente largados à morte, julgados como amaldiçoadas e vendedoras de almas, sendo mortas aos montes, formando pilhas de mortos eternamente lembrados.

Algumas bruxas queriam vingança, com isto realizando o Grande Rito; um perigoso ritual cujo objetivo era trazer sombras, trevas e peste ao mundo, destruindo os puritanos e deixando o mundo livre para elas viverem em plena paz, os bruxos poderem andar pelas ruas vestidos - ou até mesmo sem nada vestir - sem impedimentos ou julgamentos precipitados, sem execuções ou nada do tipo. Sempre que um Grande Rito era feito, falhava miseravelmente, quem mais chegou perto de fazê-lo e apenas em sua fase final conseguira impedi-lo por livre e espontânea vontade, fora Mary Sibley, uma bruxa Samhain, que encerrara-o, devido ao alto preço que deveria pagar: dar a vida de seu filho, que seria o receptáculo do senhor das trevas.

Agora, as bruxas não possuem medos, não possuem anseios ou indecisões quanto a existirem pacificamente dentre os outros. Nova Orleans e Salem são as duas cidades com a maior concentração de bruxas do mundo inteiro, onde as mesmas vivem, praticando sua magia, amplificada exacerbadamente pela magia antiga que convive entre eles. Novos Anciões surgiram, fortes como nunca, exercendo poderes em níveis alarmantes e possuindo até mesmo poderes que anteriores em uma longa linhagem não conseguiram exercer: a capacidade de ressurgir dos mortos. Uns viam aquilo como uma nova linhagem de puros e fortes anciões, outros, viam uma ameaça, afinal tudo que é mais forte é visto como uma ameaça pelas pessoas, tudo que é diferente, que é novo, causa desconfiança na humanidade, que sempre ataca aquilo que desconhece, e entre as bruxas, nada seria diferente. Ao longo dos séculos a família Sibley, através de práticas vistos por muitos como desagradáveis, conseguiu perpetuar sua raça de bruxas, sem envolverem-se com humanos ou outros bruxos, e pelo incesto conseguiu trazer até o esplendoroso século XXI bruxos fortíssimos, ao ponto de serem considerados os mais fortes dos Anciões, incluindo um Samhain dentre eles.

A concentração em Salém não é apenas dos Sibley; uma antiga e poderosa linhagem de bruxas, tão fortes ao ponto de serem consideradas como Anciões, também surgira recentemente - os amaldiçoados e imponentes Slaint's. Com a chegada de uma nova família que precipitava um ataque de caçadores, atraídos pela aglomeração de bruxas, as mesmas começaram a desesperar-se com a chegada de uma nova Inquisição: será que novamente as bruxas seriam caçadas e mortas, em pleno século XXI? A rivalidade entre as duas famílias instaurou-se, apesar de alguns poucos membros sentirem atração uma pela outra, tão forte que poderia ruir as estruturas das duas famílias. Logo, os Slaint e os Sibley tentavam chegar a um consenso onde ambas, juntas, enfrentaria a chegada de novos caçadores. Entretanto, os Sibley e os Slaint pareciam não ser a única família anciã a sobreviver pelas eras; os Marburg e os Hale pareciam ainda existir, poucos, mas ainda sim poderosos.

Já a cidade de Nova Orleans reside numa paz enorme, onde uma nova bruxa Samhain surge para liderar a cidade, sendo esta uma descendente direta da linhagem dos Marburg. A dúvida se instalava nas mentes das bruxas, que não sabiam se a boa líder, conhecida por ser gentil e doce era ou não tão diabólica quanto a Condessa Marburg, que matava bruxas sem hesitar. Aos poucos criaturas vinham à cidade, atraídas por algo que muitos ainda não sabiam exatamente o motivo, mas pareciam querer os bruxos e feiticeiros que ali viviam. Lentamente, o rumor de um novo Grande Rito sendo feito pelos Sibley crescia, à medida que os Slaint se intrometiam cada vez mais nas questões mágicas de todos de Salem.

Lentamente, todos iam tendo visões e sonhos enigmáticos com uma criatura em muito similar ao esplendoroso Senhor das Trevas, o Antigo, que sibilava e falava de trás para frente atropelando palavras e mesclando expressões em sua face similar a de um homem. Nenhuma bruxa ou feiticeiro sabia ao certo o motivo de verem o Senhor Estelar em seus sonhos, pois este, no passado, provara ser um deus caótico e maligno, prometendo liberdade às bruxas mas que na verdade planejava a destruição da terra. O que será que o antigo deus queria?

E então, qual lado você estará? Irá ceder ou lutar até o seu último suspiro?




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Re: Capítulo 1: O Ressoar da Trombeta

Mensagem por The Deity em Sab Jul 23, 2016 11:27 pm

Parte 2: Lamúrias do Inferno

Qual o significado por trás do mal? Desde os primórdios dos tempos os seres humanos buscam desesperadamente determinar e separar o bem do mal, a índole boa e a ruim, aquilo que é normal e aceitável e aquilo que é diferente e consequentemente assustador e abominável. Há muitos anos atrás o Senhor das Trevas, temível anjo caído e belo que ensinou as artes do ocultismo e da magia aos humanos, conseguiu caminhar por esta nossa terra graças ao batismo do mais perfeito receptáculo até então; o filho de uma bruxa transformada por meio de um pacto. Para as bruxas, seres que lidavam com ambos os lados da balança, todo o mal era apenas um ponto de vista, que para os cristãos pode ser um diabo odiável e perverso, mas que para elas mostrava-se um ser bondoso, que partilhava conhecimentos e ajudava todos os necessitados sem distinções ou regras.

Talvez tenha sido o tempo ou foi graças à seus atos, mas logo as bruxas notaram que esta entidade indómita era a única criatura no Universo capaz de ser completamente malvada, totalmente cruel e que apenas encontrava conforto no caos e na destruição. Agora, tantos séculos depois, todas as bruxas encontravam-se em transe, em diferentes estados de torpor e tendo diversas visões cujo encantador ninguém poderia ver por mais que se esforçassem. Eram visões infernais, mostrando locais em estados de destruição e abandono, com um fogo vermelho e vivo tanto na Terra quanto no alto dos Céus, com bolas de lava caindo e destruindo o mundo. Por todo o globo, bruxas e bruxos dos mais diversos tipos e poderes, não importando raça, nacionalidade ou nível de poder, começavam a terem estas visões, onde seus corpos entravam em transe e seus espíritos eram arrebatados ao inferno para serem convocados pelo Senhor das Trevas, cuja voz era possível ser ouvida unicamente.

Lentamente, jornais apontavam mortes e mais mortes, com corpos em estado de composição e com diferentes requintes de crueldade. Todos temiam um assassino em série, mas todos os bruxos e bruxas sabiam que eram criaturas que faziam aquilo. O que se sabia era que todas as criaturas sobrenaturais estavam sendo convocadas pelo Senhor das Trevas: aqueles que queriam ter suas maldições desfeitas, seriam curados e voltariam ao normal, e aqueles seres gananciosos que amavam serem monstros eram logo evoluídos e tornavam-se mais poderosos. As bruxas também passavam a serem convocadas, todas elas recebendo uma advertência sobre os riscos de serem traidoras, e aquelas que aliavam-se ao ser destrutivo e caótico ganhavam poderes e evoluíam, sempre recebendo instruções e tendo de matar outras bruxas.

Todo o mundo sobrenatural entrava em colapso e sob tal ameaça o prefeito de Salem, Weydan Sibley, decidiu unir-se a um antigo rival de igual poder mágico para, unidos, destruírem a ameaça aparentemente impossível de ser controlada. O encontro se daria em Salem, onde a família Slaint, há anos inimigos dos Sibley, encontraria-se com os Sibley junto da Samhain de Nova Orleans, num grande encontro amistoso. O grande problema era: os Slaint's, gananciosos, contrataram caçadores para simularem um possível assalto onde o prefeito e Samhain de Salem seria assassinado junto de sua família, assim como a Samhain de Nova Orleans. O grande problema era: os caçadores que se venderam eram traidores da própria espécie, que matavam bruxos apenas sendo pagos por outros, e então um pequeno grupo de caçadores experientes decidiu terminar não apenas com o falso assalto, mas com todos os caçadores e bruxas no complexo.

De longe fora possível ver a enorme bola de fogo eclodir e atingir os céus, junto da enorme chama se fora todos os Slaint's e o prefeito e Samhain de Salem, Weydan Sibley, junto de seu filho, Maddox. Ambas as cidades entraram em espanto: atentado terrorista? Ninguém saberia, mas as bruxas souberam por uma mensagem enviada anonimamente à todas as bruxas de Nova Orleans.

"O complexo onde as duas famílias de vermes encontraram-se fora destruído, mas não antes de podermos conseguir os nomes de vocês na listinha que o Samhain de Salem mantinha, então cuidado: a Samhain de Nova Orleans e alguns filhos do Samhain de Salem podem ter sobrevivido, mas não por muito tempo. Se conseguimos destruir os principais, podemos matar todos vocês."

A mensagem encerrava-se com um sorrisinho, enviado por Clarmike Hughes, que fechava o computador e sorria entreolhando-se com o grupo de caçadores responsáveis pelo grande ataque. Ele observou a lista de bruxas de Salem, a de Nova Orleans também estava ali graças à pressa de todos de saírem dali com o início das explosões. Estaria tudo acabado, então? Seria o fim? Talvez, mas aquele 7 de agosto havia sido o pior na história das bruxas.




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